inovaVOX.com

Mais farra em Brasília

Não gosto de falar de política por inúmeros motivos. Um deles, e talvez o mais óbvio, é pelo fato de meu trabalho ser na Câmara Municipal de Curitiba. O que faço é absolutamente administrativo e em nenhum momento trata do politiquês, mas quem tem a posse dessa informação passa a descreditar em qualquer crítica que faço – e, principalmente, a querer se aproveitar dessa situação. Mas, enfim, pensem o que quiserem, pois a minha opinião jamais irá mudar (a não ser que isso me seja muito favorável financeiramente).

Algumas coisas incomodam tanto que se tornam inevitáveis a expressão de breves comentários, sobretudo para um metido-a-cronista como eu. Vamos à ela (a coisa): foi aprovado – e bem na surdina, diga-se – a criação de 97 novos cargos de assessoria no Senado, um para cada parlamentar e mais um para cada umas das 16 lideranças de partido na Casa (para quê tanto partido, se eles acabam se coligando?). O salário é de módicos R$ 9.979,24. Pouco não? Pois é… O que nossos excelentíssimos Senadores não sabem é que essas decisões afetam diretamente a vida de muito mais pessoas do que parece. A minha, por exemplo.

Soube desse acontecimento hoje cedo, pelos jornais. Leio-os, mais de um, sempre antes de qualquer tarefa burocrática não essencial à propagação da vida (ou seja, antes de ligar o computador e checar os emails, porém depois de comer e escovar os dentes), e hoje não foi diferente. Eis que termino de me informar das atrocidades do mundo e corro para reclamar. Ligo o PC, abro meu email e voilà: lá estão quatro mensagens novas de pessoas me pedindo emprego – não esquecer que trabalho na Câmara, e as pessoas querem porque querem se aproveitar disso.

Há um tom satírico em mensagens assim, por certo, mas de certa forma representam bem o pensamento generalizado da população brasileira. Se eles podem, porque nós não podemos? Respondi os emails um a um, com toda paciência que me é característica, e recebi algumas tréplicas bem representativas. Para um eu dizia que as vagas foram abertas lá em Brasília, não aqui, e ele reivindicou o famigerado efeito cascata (“se vale para os salários, por que não para as vagas?”); a outro disse que eram empregos que já nasciam com donos, os apadrinhados políticos, e ele me pediu de pronto o telefone do Senador Efraim Moraes, autor da proposta, para poder convidá-lo a ser padrinho do seu casamento. Outro, ainda, a quem eu disse que nada tinha a ver nem com a criação dos cargos e muito menos com a indicação de quem iria ocupá-los, ficou bravo e me ameaçou de morte, coisa que relevei por não acreditar que ele estivesse falando a sério (tomara que não estivesse).

De qualquer forma, saímos todo prejudicados. Por mês a União terá de despender perto de um milhão de reais para pagar esses novos salários. Coisa de R$ 12.583.821,64 (doze milhões!) por ano, contando décimo-terceiro mas não bônus ou abonos. Uma pechincha, se levar em conta o que nós, reles mortais, pagamos de impostos e multas de trânsito todos os dias.


Categorised as: Outros


One Comment

  1. Estas vagas são apenas mais uma triste constatação do descaso de nossos políticos para com o povo que os sustenta. Mas merecemos, afinal, somos nós que os elegemos…

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>