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Permita-me penetrar

De repente me vi frente a frente com uma página em branco precisando escrever alguma coisa interessante sobre mim. Para alguém que sofre de esparsas porém intensas (ou ficaria melhor “intensas porém esparsas”?) crises existenciais à la Sartre, isso é a pior coisa que poderia acontecer. Sou muito competitivo, e ter de repensar de um minuto para o outro minhas glórias até aqui é realmente bastante desanimador. Não pretendia escrever todas as minhas memórias – afinal ninguém precisa saber como foi minha infância pobre lá em Barbacena –, mas alguns sucessos seriam bem-vindos num texto de apresentação. Uma pena não tê-los.

Enfim, vamos às formalidades: sou apenas um rapaz metido a cronista, breve ator, breve atleta, meio músico, um pouco autista e, principalmente, completamente perdido. Vivo numa época que definitivamente não é a minha, regido sob o cruel relógio da pós-modernidade, onde as coisas acontecem quase que instantâneamente e infelizmente tudo pode ser arte – mas a arte não parece ser bem-vinda. Sigo algumas regras de convivência que só existem na minha cabeça e adoraria acreditar em alguma coisa diferente daquilo que se pode ver e tocar.

(Aqui tinha um parágrafo até certo ponto relevante, mas depois de reescrevê-lo seis vezes resolvi extirpá-lo do texto, o que prova que estou no ápice da minha bipolaridade)

Meu nome é Maycon, e algumas pessoas às vezes até me chamam assim. Normal mesmo é chamar de Dimas, o segundo nome, ou um apelido qualquer dentre os tantos que carrego. Mamãe vive dizendo que em dezembro faço 21 anos – e que, portanto, vou ter de “trilhar meu próprio caminho” –, mas duvido um pouco dessa informação, principalmente quando brinco de bolinha de gude com meu irmão de 12. Sou de Curitiba e nunca morei em Barbacena, apesar dos apelos (aquilo ali em cima foi só para compor o personagem). E, finalmente, se tudo correr dentro daquilo considerado normal pelos próximos meses, viro oficialmente jornalista no final deste ano, entrando de vez para as estatísticas (do desemprego). Ó vida.

Diante daquela oferta de “emprego” do famoso Sampson, não tive dúvidas: eu adoro (e preciso) aparecer. Ele aceitou e agora cá estou, iniciando oficialmente meu projeto de fazer sucesso, esquecer da família e dos amigos e andar só acompanhado de globais. Infelizmente me pegaram num dia ruim para apresentações, mas espero agradar tanto a gregos quanto a troianos daqui para frente. Vou escrever sempre que possível, até porque assiduidade não é meu forte, e sobre os assuntos que bem entender, até porque esse é o ofício do cronista. Quem gostar, gostou; quem não gostar, comenta porque adoro discussões.

Ah, esqueci de dizer que nas horas vagas eu faço ótimas torradas.


Categorised as: Outros


4 Comments

  1. Aragao disse:

    o texto é chocante, mais o título é tocante :) nao em mim! lah ele…

  2. Hugo disse:

    Coloca a patroa pra trabalhar no InovaVox, Sampson :P

  3. yeltsin disse:

    Ah, bem vindo. :) Superou o meu em quantidade de caracteres =)

  4. Muito bom, Maycon! Devia ter feito um jabazinho do teu blog aí no post. Faz no próximo :P

    Hugo:
    Dá idéia não rapá!!!

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