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A maioria das pessoas que visitam o inovaVOX.com são do Estado de São Paulo, portanto, provavelmente, nunca ouviram falar do “Roubo do Sítio de Judas”, ou os Caretas do Sítio de Judas, que acontece todos os anos em alguns sítios do sertão paraibano, cearense e pernambucano, na Sexta-feira Santa, antes do Sábado de Aleluia, quando a malhação do Judas ocorre.

Não vou mentir, eu sempre soube que existia a Malhação do Judas, eu mesmo, quando criança, já dei umas pauladas no coitado, mas, apesar de me considerar sertanejo, eu não conhecia o roubo do sítio, até que Leonardo, um dos meus (mais de) 50 primos (não é à toa que a família leva “Coelho” no sobrenome), me enviou umas fotos e um vídeo que ele produziu em sua viagem para a Cacimbinha, sertão pernambucano, na sexta-feira passada.

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Antes de mostrar o vídeo pra você, ponto alto deste post, leia um trecho do artigo que encontrei na Intercom, que fala da Malhação do Judas no Sertão da Paraíba.

A brincadeira é quase sempre realizada nas fazendas, na noite da Sexta-Feira Santa para o sábado de Aleluia, no terreiro das casas, recebendo dos respectivos proprietários a licença para malhar o Judas. Um grupo de moradores da redondeza percorre as localidades próximas pedindo prendas para a quebra do jejum da quaresma e como manda a tradição quem nega a doação poderá ter problemas no resto do ano e no final do dia a comissão tem arrecado boa quantidade de alimentos, bebidas e objetos que são armazenados na casa onde outro grupo confecciona o boneco de Judas secretamente para não ser roubado.

O Sitio de Judas é um ciclo cercado de mato, também chamando de curral, com uma entrada de três metros e no centro é erguido um mastro de aproximadamente oito metros onde é dependurado o boneco de Judas, na base é colocado um carro-de-boi ou mesmo uma grande mesa para depositar todas as doações. Os Caretas são soldados mascarados que vão proteger o Judas dos invasores que tentam roubá-lo a todo custo, roubar o Judas e as doações antes da meia-noite do sábado de Aleluia. Os Caretas vestem roupas de saco de estopa como uma espécie de surrão, barulhento, assim como o surrão do Maracatu, máscara de couro ou papelão com bigode e sobrancelhas de crina de cavalo para dar uma aparência de coisa grotesca e sua arma é um chicote de couro entrançado com um objeto contundente na ponta. Outra personagem marcante na brincadeira é a Catirina a mulher de Judas e quase sempre está grávida e faz o povo rir com as suas estripulias. Seu personagem lembra a Catirina do Bumba-meu-boi. é uma luta entre o bem e mal que dura até a meia-noite do sábado de Aleluia e os invasores, que são os do bem, sempre levam a melhor. Quando acontece a invasão do curral o boneco de Judas é derrubado e esquartejado e com as doações de comidas e bebidas a festa rola a noite inteira com o forró-pé-de-serra.

Clique aqui para ler o artigo completo, de autoria do Professor e pesquisador do Departamento de Comunicação Social da UFPB, Osvaldo Meira Trigueiro.

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Você viu, não é? Os Caretas batem no “meliante” com um “chicote de couro com um objeto contundente na ponta”, portanto, amigo, só entra na roda quem aguenta. O “ladrão” que conseguir pegar alguma guloseima ou bebida, fica com ela para si. é uma espécie de prêmio para os corajosos que se metem no meio dos mascarados. Segundo relatou meu primo, tem gente que sai com as costas na carne viva… coisa de doido.

Veja o vídeo filmado e editado por Leonardo. Escute ao fundo o som do chicote nas costas dos cabras

Vale ressaltar que todos os participantes da brincadeira, os mascarados e os ladrões, são amigos, e depois de tudo isso a festa rola solta regada a muito forró e cachaça.

égua!

[BL]cultura popular, regionalismo, folclore, malhação do judas[/BL]

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