Na juventude, o aposentado Tarciso, 54 anos, descobriu que tinha sensibilidade para a poesia. Essa percepção despertou sua vontade de escrever. Tudo começou de forma despretensiosa, como ele mesmo diz, mas com o passar do tempo, esse envolvimento aumentou. Além de ter publicado o livro Liberdade (Editora Gráfica Picos, 2002), uma coletânea das poesias que escreveu ao longo da vida, Tarciso divulga seus textos e de grandes pensadores em seu site Garimpo de Sabedoria.

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Como começou seu envolvimento com a literatura?

Comecei a me interessar pela poesia na juventude, no interior do Ceará, celeiro de grandes poetas populares. Sempre de forma simples e afetiva, escrevia para uma namorada, uma serra, uma fonte, o povo, etc. Tudo de forma despretensiosa, era apenas uma vontade de exercitar uma certa sensibilidade poética que sentia existir em mim. Nunca assumi a identidade de escritor ou poeta, sempre me intitulei um aprendiz. Arrisco escrever versos, artigos e crônicas, que vêm sendo publicados no site www.portalfcs.com.br.

Qual a importância do hábito de leitura?

Quem lê conhece o mundo inteiro sem sair de casa e ainda entra nas histórias como se fosse o personagem. A maior importância, além do deleite, é a aquisição de novos conhecimentos.

Há algum estilo que influencie seu processo criativo?

Gosto da poesia de cordel, embora escreva muitos sonetos. O cordel parece ter um cheiro de gente misturado ao da terra, sempre fonte de inspiração para o nordestino.

Quais os livros e escritores que mais lhe marcaram?

Cante lá que eu canto cá, Inspiração Nordestina e Melhores Poemas, de Patativa do Assaré, e tudo o que li de Carlos Drummond de Andrade.

Trabalhos em verso e prosa de Tarciso Coelho:


Salomão ou Sandoval?

Se lhe causei algum mal
Ao pegar na sua mão
E chamar de Salomão
Me desculpe Sandoval

Pois é coisa mais normal
Numa apresentação
Confundir com Salomão
O nome de Sandoval

Mas do Círio até o Natal
Vou prestar muita atenção
Pra esquecer Salomão
E só lembrar Sandoval

E depois no Carnaval
Semana Santa e São João
Jamais direi Salomão
Pra quem nasceu Sandoval

Tarciso Coelho
Soure (PA), 12.11.2005

Lula Presidente

No dia seis de outubro
do ano dois mil e dois
voto Lula Presidente
e o resto conto depois

No dia 27 de outubro
do ano dois mil e dois
voto em Lula de novo
e o resto conto depois

Em seis e vinte e sete
Do dez de dois mil e dois
Disse votar em Lula
E o resto diria depois

A eleição foi tranqüila
E o metalúrgico ganhou
Foi tanto voto pra ele
Parece até que sobrou

Que o povo Brasileiro
Tenha um governo bom
Que saiba administrar
E do rumo dar o tom

Não deixe americano
Vir aqui atrapalhar
E com o efe eme i
Querer nos assustar

Que seja o governo sério
Como Lula sempre foi
Que pense primeiro em nós
E em gringo pense depois

Não precisa dar calote
Quem deve tem que pagar
Mas só pague a americano
Quando nos alimentar

O nosso grande povo
Que tanto voto lhe deu
Merece um bom Presidente
Por isso lhe escolheu

Que tenha sempre pra nós
Café, almoço e janta
E de barriga vazia
Não durma uma criança

Com fé e esperança
Vai seu povo governar
Sabendo bem distribuir
Para a ninguém vir a faltar

Que fique o Brasil em paz
Como Lula sempre quis
E viva o povo Brasileiro
Sem medo de ser feliz.

Tarciso Coelho, 28.10.2002.

Sina do Caboclo

Quão triste a sina do caboclo
Que padece na vida Severina
Semeia o grão qual Deus ensina
E espera a chuva de bom gosto
Mas o sol queima o seu rosto
E a enxada caleja a sua mão
De tristeza chora sem ter pão
Sequer pra dar a uma menina
Jesus salva a pobreza Nordestina…
Com três dias de chuva no Sertão.

CASAR OU NÃO CASAR? EIS A QUESTÃO

Como vivemos, no dia-a-dia, a dar explicações sobre o inexplicável? Na convivência conjugal, talvez na esperança de criar um clima estável e de confiança mútua, mentem-se com tanta facilidade que tais mentiras tornam-se verdades. Os romances extraconjugais ou mesmo simples e inocentes paqueras são sempre muito bem escondidos pelo parceiro pulador de cerca???. E os motivos são os de sempre, criar uma couraça no aparente mar de tranqüilidade do convívio conjugal, para felicidade da família, amigos e sociedade ou mesmo pelo medo de uma desgastante separação com as conseqüências nefastas que ela traz pensão, distanciamento de filhos, familiares e amigos.

Bom seria se pudéssemos sair gritando estar vivendo um novo amor e isso não trouxesse tantos problemas para todos os envolvidos, pois se o prazer do amor é amar deveríamos poder amar intensamente sem tanto sentimento de culpa ou de traição. Porque temos que estar engessados em um casamento ou união estável? Machado de Assis ensinou: “Deus para felicidade do homem criou a fé e o amor, o diabo invejoso fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento”. Mais atualmente, o surto de liberdade e igualdade das mulheres em relação aos homens, levou aquelas a se sentirem mais donas de si, pois muitas dizem: Nunca troque o seu pior emprego pelo seu melhor marido???. Diferentemente das saudosas Amélias??? que diziam: ruim com ele, pior sem ele???. Acho isso saudável, na esperança de que um dia todos sejam realmente iguais, homens e mulheres ou toda a espécie humana, para felicidade total da humanidade.

A família é a célula mater da sociedade???. Não podemos questionar a assertiva, porém a liberdade de viver na plenitude nossas emoções jamais deveria ser tolhida. As pessoas deveriam escolher entre seus amores, familiares e amigos os que deveriam compor sua família. Escolhemos os amigos, os parentes não???. é bem verdade, mas não deixam de ser famílias as uniões que hoje surgem: homem com homem, mulher com mulher, amigo com amigo, que dividem as despesas???. Claro, se em clima de respeito e confiança mútua e isentas de promiscuidades e mentiras.

Se isto é utopia, quimera ou fantasia, continuemos nossa vidinha hipócrita de sempre e quando sua esposa lhe pegar pegando??? aquela empregada gostosa, diga: querida, eu juro que não sou eu…

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Informações adicionais:

Tarciso é meu pai, atualmente mora em Soure (PA), Ilha de Marajó.

Esta entrevista foi publicada originalmente no site da PREVI - Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil.

Caso queira saber um pouco mais sobre ele, existe uma outra matéria publicada na Revista da Previ, edição 114 de maio de 2006. Acesse aqui.

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